Estreia:
de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza
-
Catálogo/s:
-
Em exibição
-
Catálogo Risi Film
Catálogo/s:
Itália, França, 2024, 122', Classificação M12, Drama
com Toni Servillo, Elio Germano, Daniela Marra, Barbora Bobulova
“A realidade é um ponto de partida, não um destino” Antonio Piazza, Fabio Grassadonia
Foragido durante mais de trinta anos, Matteo Messina Denaro foi o fantasma mais esquivo da Cosa Nostra. Inspirado na sua figura, o filme entrelaça traições, destinos selados e ambições destruídas, num noir que evoca a grande tradição literária siciliana. Um retrato intenso que revela o lado humano e grotesco de uma fuga lendária. Apresentado em Competição Oficial no Festival de Veneza.
Depois de cumprir vários anos de prisão por crimes ligados à máfia, Catello (Toni Servillo), político de longa data, perdeu tudo. Quando os serviços secretos italianos o “convencem” a colaborar na captura de Matteo (Elio Germano), o último grande chefe mafioso ainda em fuga — que conhece desde a infância —, vê nessa proposta uma oportunidade de regressar.
Astuto e versátil, mestre na arte da dissimulação, Catello inicia uma correspondência com o fugitivo, tão singular quanto improvável, explorando as fragilidades emocionais do homem que vive na clandestinidade. Um jogo arriscado, ainda mais perigoso por envolver um dos criminosos mais procurados do mundo. Servillo encarna assim uma figura ambígua, movida pela possibilidade de redenção, enquanto Germano dá corpo a um chefe mafioso cansado da guerra e prisioneiro da própria sombra.
Festivais e Prémios:
Festival de Veneza 2024 - Seleção Oficial - Competição
Festa do Cinema Italiano 2025 Seleção Oficial
La Biennale di Venezia 2024: Venezia 81 - Premio Lizzani, Premio Francesco Pasinetti, Premio Rotella
Mostra Internacional de Cinema 2024 São Paulo (Perspectiva Internacional)
Haifa International Film Festival 2024 (Carmel International Competition)
Zurich Film Festival 2024 (Gala Premieres)
Istanbul Film Festival 2025 (Around the World)
Les rencontres du cinéma italien à Toulouse 2024 (Avant-premières)
Ficha técnica:
escrito e realizado por FABIO GRASSADONIA e ANTONIO PIAZZA
imagem LUCA BIGAZZI
montagem PAOLA FREDDI
direção artística GASPARE DE PASCALI
música COLAPESCE
figurinos ANDREA CAVALLETTO
som STEFANO CAMPUS
desenho de som MIRKO PERRI, GIULIO PREVI
maquilhagem FRÉDÉRIQUE FOGLIA
cabelos SAMANKTA MURA
produzido por NICOLA GIULIANO, FRANCESCA CIMA, CARLOTTA CALORI, VIOLA PRESTIERI
coproduzido por ALEXIS DANTEC
produtor associado STEFANO D’AVELLA
distribuição em Portugal RISI FILM
Um jogo de gato e rato entre polícias e mafiosos, apresentado com grande elegância visual - Deadline
Uma obra cujo ponto forte é a sua realização, com um final que obriga a uma reinterpretação amarga do caso Messina Denaro. Mymovies.it
Um filme que não se limita a uma biografia sobre o chefe fugitivo Matteo Messina Denaro, mas que tem como objetivo fazer o espectador pensar sobre a incongruência da justiça italiana. Wired
Fabio Grassadonia e Antonio Piazza são uma dupla de realizadores e escritores italianos, originários de Palermo, Sicília, considerados entre os nomes de ponta do cinema de autor europeu contemporâneo. Depois de colaborarem como argumentistas para diferentes importantes produtoras italianas, (entre elas Filmauro e Fandango) estrearam-se na realização em 2009 com a curta-metragem Rita, apresentada em mais de uma centena de festivais internacionais (Roterdão, Edimburgo, Chicago, Angers, Abu Dhabi, Aspen, Toronto, entre outros), tendo ganho dezenas de prémios.
A sua longa-metragem de estreia, Salvo, estreou no Festival de Cannes de 2013, onde ganhou o Grande Prémio da Semana da Crítica. Por este filme, Grassadonia e Piazza receberam uma nomeação para o prémio David di Donatello para melhores novos realizadores. O segundo filme de Grassadonia e Piazza, O Fantasma da Sicília (Sicilian Ghost Story), abriu a Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2017, onde foi aplaudido de pé durante dez minutos. Por este filme, a dupla recebeu o prémio David di Donatello para Melhor argumento adaptado. Estreou em Portugal em 2018. O terceiro filme da dupla, O Último Padrinho (Iddu aka Sicilian Letters), concorreu ao Leão de Ouro no 81o Festival Internacional de Cinema de Veneza.
NOTA DOS REALIZADORES
Começámos a desenvolver O ÚLTIMO PADRINHO em 2020, três anos antes da detenção de Matteo Messina Denaro.
A 16 de janeiro de 2023, dia da sua detenção, já estávamos em pré-produção. A partir desse momento, o que foi revelado sobre a sua vida confirmou as nossas intuições resultantes dos anos que passámos a estudá-lo, quando para muitos era um fantasma incompreensível e outros até duvidavam que ainda estivesse vivo.
Na verdade, as cartas de Matteo Messina Denaro ofereceram um vislumbre surpreendente e inesperado da vida privada deste criminoso notório, que se revelava um leitor entusiasta e culto — confirmado pela quantidade e diversidade de livros encontrados nos seus últimos esconderijos — e até mesmo cinéfilo. “Hoje apercebo-me de que li imenso; ler é o meu passatempo preferido”, escreveu.
Os pizzini (mensagens manuscritas ou datilografadas utilizadas pelos mafiosos) que usava para organizar a sua vida clandestina e gerir o seu império criminoso transcendiam a sua função prática de comunicação com os subordinados, revelando entusiasmo no uso da linguagem e capacidade de moldar tom e estilo consoante os destinatários.
O argumento de O ÚLTIMO PADRINHO inspira-se livremente nesses pizzini — em particular na correspondência de 2004 entre o fugitivo e o antigo Presidente da Câmara de Castelvetrano — e no contexto trágico e ridículo, paradoxal, mas muito real, que essas mensagens revelam.
NOTAS HISTÓRICAS SOBRE MATTEO MESSINA DENARO
Em 2004, ano em que decorre O ÚLTIMO PADRINHO, o chefe da Máfia Matteo Messina Denaro era o terceiro fugitivo mais procurado do mundo, segundo a revista Forbes. Era suspeito de dezenas de homicídios, bem como dos atentados que aterrorizaram Itália em 1992 e 1993. “Matei pessoas suficientes para encher um cemitério sozinho”, vangloriou-se antes de entrar na clandestinidade. Porém, a partir desse momento, evitou qualquer ostentação desnecessária. Reflexão, ocultação e uma cumplicidade generalizada no seu território da Sicília ocidental lançaram as bases para os seus 30 anos de invisibilidade.
No outono de 2004, iniciou-se uma correspondência entre Matteo e um antigo Presidente da Câmara da sua cidade natal, convencido pelos Serviços Secretos italianos a trocar cartas com o chefe mafioso fugitivo. O antigo autarca explorou a sua relação com o pai de Matteo, o chefe mafioso Francesco Messina Denaro.
Graças à troca de cartas entre o fugitivo e o antigo Presidente da Câmara, os investigadores conseguiram descobrir a rede de “carteiros” que protegiam e davam assistência ao chefe durante a sua fuga. A captura parecia ser apenas uma questão de tempo, mas, em 2006, a correspondência terminou porque — como frequentemente acontece na Sicília — um informante envolvido na investigação revelou à imprensa que o antigo Presidente da Câmara estava a colaborar com os Serviços Secretos. Matteo voltou a desaparecer, até janeiro de 2023, quando foi detido numa clínica de Palermo onde, durante dois anos, recebia tratamento para um cancro intestinal.
Morreu dessa doença oito meses após a detenção, levando para o túmulo alguns dos segredos mais obscuros da história recente de Itália.