Estreia:
de Paolo Sorrentino
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Catálogo/s:
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Brevemente
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Catálogo Risi Film
Catálogo/s:
Itália, 2025, 131', Classificação M12, Drama
com Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello
Pela mão do realizador Paolo Sorrentino, vencedor de um OSCAR®, La Grazia abriu o último Festival de Veneza, revelando-se um filme luminoso sobre a beleza da incerteza — esse lugar instável onde as decisões pesam e a humanidade se torna mais visível.
Mariano De Santis é o Presidente da República Italiana. Não tem qualquer ligação com presidentes da vida real; é inteiramente fruto da imaginação do autor. Viúvo e católico, tem uma filha, Dorotea, jurista tal como ele. À medida que o seu mandato chega ao fim, no meio de dias sem grandes acontecimentos, surgem duas últimas tarefas: decidir sobre dois delicados pedidos de indulto presidencial. Verdadeiros dilemas morais, que se entrelaçam, de formas que parecem impossíveis de desvendar, com a sua vida privada. Impulsionado pela dúvida, terá de decidir. E, com um profundo sentido de responsabilidade, é exatamente isso que este notável presidente italiano fará.
Festivais e Prémios:
Festival de Veneza 2025: Filme de Abertura, Prémio de Melhor Ator (Toni Servillo)
Ficha técnica:
Argumento e Realização Paolo Sorrentino
Direção de Fotografia Daria D’Antonio
Assistente de Realização Edoardo Marini
Montagem Cristiano Travaglioli (A.M.C.)
Som Emanuele Cecere, Mirko Perri
Figurinos Carlo Poggioli
Direção Artística Ludovica Ferrario
Decoração de Cenários Laura Casalini
Maquilhagem Paola Gattabrusi
Casting Anna Maria Sambucco U.I.C.D, Massimo Appolloni U.I.C.D
Produção The Apartment, Numero10, PiperFilm
Distribuição em Portugal Risi Film
Paolo Sorrentino nasceu em Nápoles em 1970. A sua primeira longa-metragem, "One Man Up", data de 2001 e foi selecionada para o Festival de Cinema de Veneza. Em 2004, realizou "As Consequências do Amor" e, em 2006, "O Amigo da Família", ambos em competição no Festival de Cinema de Cannes. Em 2008, com “Il Divo”, regressou a Cannes, onde ganhou o Prémio do Júri, e, novamente, em 2011, com “This Must Be The Place” e, dois anos mais tarde, com “A Grande Beleza”, que ganhou, entre outros, o Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro. Em 2016, realizou “Youth” e criou e realizou a série de televisão “The Young Pope”. Em 2018, realizou o filme “Loro” e, em 2019, a série “The New Pope”. Em 2021, escreveu e realizou “The Hand of God”, nomeado para o Óscar® de Melhor Filme Estrangeiro em 2022. Em 2024, escreveu e realizou “Parthenope”.
NOTA DO REALIZADOR
LA GRAZIA é um filme sobre o amor. Aquele motor inesgotável que dá origem à dúvida, ao ciúme, à ternura, à emoção, à compreensão das coisas da vida e à responsabilidade.
O amor e todos os seus intrincados desdobramentos são vistos e vividos através dos olhos de Mariano De Santis, um Presidente da República Italiana totalmente fictício, mas credível.
Mariano De Santis ama a sua falecida esposa, ama a sua filha e o seu filho, bem como o fosso geracional que os separa dele. Ele ama o direito penal, que estudou toda a sua vida. Por trás do seu comportamento sério e austero, Mariano De Santis é um homem de amor.
LA GRAZIA é um filme sobre a dúvida. E a necessidade de a abraçar. Isto é especialmente verdade na política e ainda mais hoje, num mundo em que os políticos apresentam com demasiada frequência um pacote brusco de certezas que apenas causam danos, atritos e ressentimento. Isto prejudica o bem-estar coletivo, o diálogo e a harmonia geral. Mariano De Santis é um homem movido pela dúvida.
LA GRAZIA é um filme sobre um dilema moral. Conceder ou não clemência a duas pessoas que cometeram homicídio, embora talvez em circunstâncias que possam ser perdoadas. Assinar ou não, como católico, um projeto de lei problemático sobre a eutanásia.
Quando era jovem, fiquei profundamente impressionado com o DEKALOG, de Kieślowski. Uma obra-prima inteiramente centrada em dilemas morais; o enredo de todos os enredos, a única narrativa verdadeiramente cativante. Mais do que qualquer thriller. Não creio ter chegado nem remotamente perto da genialidade de Kieślowski, nem da profundidade com que ele abordava os temas morais, mas senti-me compelido a tentar na mesma, num momento histórico em que a ética por vezes parece opcional, evasiva, opaca ou, com demasiada frequência, invocada apenas por razões instrumentais.
A ética é um assunto sério. É ela que sustenta o mundo.
E Mariano De Santis é um homem sério.