La Dolce Vita
de Federico Fellini
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Catálogo/s:
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Clássicos
Catálogo/s:
Itália, 1960, 162', Classificação M/12, Drama
com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimee, Yvonne Furneaux
Um dos mais célebres filmes de Federico Fellini (o tal, do banho de Anita Ekberg na Fonte Trevi) que assinala o ponto em que o realizador começou docemente a afastar-se do neorrealismo.
A autenticidade de La Dolce Vita deve-se, em parte, ao “estudo” que o cineasta dedicou, durante um verão inteiro, à vivência das estrelas. Algo que, do ponto de vista biográfico, se liga à personagem de Mastroianni: esta é a evocação dos primeiros tempos do próprio Fellini em Roma, onde começou por trabalhar como jornalista. Universalmente aplaudido, valeu-lhe a Palma de Ouro no Festival de Cannes e quatro nomeações para os Óscares, entre as quais, nas categorias de realização e argumento (venceu a estatueta do guarda-roupa).La Dolce Vita representa um olhar à cultura do estrelato, comum protagonista no encalço do sedutor estilo de vida das ricas e glamorosas celebridades que, em plena era da sociedade do espetáculo, se exibem em Roma. O mirone desse espetáculo mundano chama-se Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) e, na qualidade de jornalista de mexericos, explora as periferias dos holofotes. Um filme que será sempre lembrado pela imagem icónica da sueca Anita Ekberg na Fontana di Trevi.
Festivais e Prémios:
Oscar
Melhor Guarda Roupa (1960)
Nomeação - Melhor Realizador (1960)
Nomeação - Melhor Guião (1960)
Nomeação - Melhor Direção Artística (1960)
Festival de Cannes
Palma de Ouro - Melhor Filme (1960)
Prémios David de Donatello
Melhor Realizador (1960)
Associação de Críticos de Nova Iorque
Melhor Filme (1960)
Ficha técnica:
Argumento Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli e Brunello Rondi
Fotografia Otto Martelli
Edição Leo Catozzo
Música Nino Rota
Produção Giuseppe Amato e Angelo Rizzoli
Nasceu em janeiro de 1920, e ficou conhecido pelo estilo peculiar que funde fantasia e imagens barrocas. É considerado uma das maiores influências e um dos mais admirados realizadores do século XX. Cresceu em Rimini e, como tal, as suas experiências de infância vieram a ter uma parte vital em muitos dos seus filmes, em particular em "I Vitelloni", de 1953; "8½" (1963) e "Amarcord" (1973). Durante o regime fascista de Mussolini, Fellini e seu irmão, Riccardo, fizeram parte de um grupo fascista que era obrigatório para todos os rapazes da Itália: o "Avanguardista". Ao mudar-se para Roma em 1939, conseguiu um trabalho bem remunerado, escrevendo artigos num semanário satírico muito popular na época: o Marc’Aurelio. Foi nesse período em que entrevistou o renomado ator Aldo Fabrizi, dando início a uma amizade que se estendeu para a colaboração profissional e um trabalho em rádio. Numa época de alistamento compulsório desde 1939, Fellini sem dúvida conseguiu evitar ser convocado usando de artifícios e truques de grande perspicácia. Conheceu sua esposa Giulietta Masina em 1942, casando-se no ano seguinte, a 30 de outubro. Assim começa uma grande parceria criativa no mundo do cinema, a começar pelo "La Strada" de 1954. Com uma combinação única de memória, sonhos, fantasia e desejo, os filmes de Fellini têm uma profunda visão pessoal da sociedade, não raramente colocando as pessoas em situações bizarras. Existe um termo "Felliniesco" que é empregado para descrever qualquer cena que tenha imagens alucinógenas que invadam uma situação comum. "La Dolce Vita" de 1960 é considerado uma das obras-primas de Federico Fellini, juntamente com "8½" e "Amarcord". O filme é uma crítica aberta à sociedade romana do pós-guerra, retratando uma instituição decadente e hedonista, marcada pela superficialidade e incomunicabilidade, temas desenvolvidos ao longo do filme. Foi considerado um dos 1000 melhores filmes de todos os tempos pelo The New York Times. Fellini também escreveu textos para programas de rádio e textos para filmes (mais notavelmente para Rossellini, Pietro Germi, Eduardo De Filippo e Mario Monicelli); escreveu ainda inúmeras anedotas, muitas vezes sem crédito, para conhecidos comediantes como Aldo Fabrizi. Uma fotonovela de Fellini chamada "Uma Viagem para Tulum" foi publicada na revista Crisis, com arte de Milo Manara e publicada como gibi pela Catalan Communications, no mesmo ano. Em 1993, recebeu um Oscar de Honra em reconhecimento das suas obras que chocaram e divertiram audiências pelo mundo fora. No mesmo ano, em outubro, Fellini morreu de ataque cardíaco em Roma, aos 73 anos (um dia depois de completar cinquenta anos de casado). A sua esposa, Giulietta, morreu seis meses depois, com um tumor no pulmão. Giulietta, Fellini e Pierfederico estão enterrados no mesmo túmulo de bronze esculpido por Aldo Pomodoro. Em formato de barco, o túmulo está localizado na entrada do cemitério de Rimini – a sua cidade natal.