Campo di Battaglia

Campo de Batalha

Estreia:

de Gianni Amelio

Itália, 2024, 104', Classificação M/14, Drama

com Alessandro Borghi, Gabriel Montesi, Federica Rosellini

Festivais e Prémios:

La Biennale di Venezia 2024: Venezia 81 - Em Competição

Festa do Cinema Italiano 2026

Festival du Cinema Italien de Bastia 2025: Panorama

International Film Festival of Uruguay 2025: Trayectorias

Journées du Cinéma Italien - Nice 2025: Compétition Officielle

Saraqusta Film Festival 2025: Official Feature Films

Festival do Rio 2024: World Panorama
Villerupt Italian Film Festival 2024: Hors Compétition
Ajaccio Italian Film Festival 2024: Compétition

Ficha técnica:

Realização GIANNI AMELIO

Argumento GIANNI AMELIO e ALBERTO TARAGLIO

Direção de fotografia LUAN AMELIO UJKAJ
Música FRANCO PIERSANTI
Figurinos LUCA COSTIGLIOLO
Direção artística BEATRICE SCARPATO
Montagem SIMONA PAGGI
Assistente de realização PAOLO GIACOMO MARINO
Som EMANUELE CICCONI
Produtor executivo PATRICK CARRARIN
Diretor de produção CARLO CORBUCCI

Produzido por SIMONE GATTONI, MARCO BELLOCCHIO, BEPPE CASCHETTO e BRUNO BENETTI
Distribuição em Portugal RISI FILM

Gianni Amelio é um cineasta da Velha Guarda e as “balas” que dispara neste objeto anti-bélico refletor da eterna luta de classes (ou desprezo de classes) provêm mais das ferramentas dramáticas concedidas aos seus atores e da força das palavras do texto, que aos fuzis, baionetas ou bombas. C7nema


Amelio é hábil na sugestão de uma atração latente entre os dois protagonistas — uma das escolhas mais corajosas da obra. Quinlan.it


A Primeira Guerra Mundial como nunca a vimos antes no grande ecrã. Sem precisar de cenas de batalha nem de mostrar a frente de combate para transmitir uma mensagem poderosa. Loud and Clear Reviews

Gianni Amelio nasceu em 1945, em San Pietro Magisano, na Calábria.
Marcada pela ausência do pai, que emigrou para a Argentina pouco depois do seu nascimento, a sua infância decorreu num contexto humilde que viria a influenciar profundamente a sua obra cinematográfica. Formou-se em Filosofia na Universidade de Messina e iniciou a sua carreira no cinema como assistente de realização, colaborando com realizadores como Vittorio De Seta e Gianni Puccini. Depois de vários trabalhos para a televisão italiana, estreou-se na realização em 1970 com La Fine del Gioco. Ao longo das décadas seguintes afirmou-se como uma das vozes mais importantes do cinema italiano, explorando temas como a infância, as relações familiares, a exclusão social e a emigração.

O reconhecimento internacional chegou com filmes como Porte Aperte (1990), nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Il Ladro di Bambini (1992), distinguido em Cannes, Lamerica (1994) e Così Ridevano (1998), vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em 2004, realizou As Chaves da Casa, apresentado em competição no Festival de Veneza. Paralelamente, desempenhou um papel importante na vida cultural italiana, sendo diretor do Festival de Cinema de Turim entre 2008 e 2012. Considerado um dos grandes autores do cinema europeu contemporâneo, Gianni Amelio construiu uma filmografia marcada por um olhar humanista e atento às fragilidades da condição humana.

Campo de Batalha é um filme antibélico e humanista que subverte os clichés do género ao afastar-se das trincheiras para explorar um conflito centrado na ética e na medicina. O dilema central reside na subversão do Juramento de Hipócrates, assente no choque moral entre dois médicos militares e amigos de infância, com a rivalidade intensificada pela presença de uma enfermeira, num drama psicológico focado nos bastidores do conflito. A estes elementos junta-se a relevância histórica da Gripe Espanhola de 1918, que matou mais de cinquenta milhões de pessoas em todo o mundo, e a denúncia de uma censura militar que tentou esconder a pandemia da população civil.

O filme de Gianni Amelio denuncia a cumplicidade entre o poder e o silêncio que, num mundo ainda marcado pela memória recente da pandemia Covid, ressoa com uma atualidade perturbadora, levando-nos a refletir se de facto os sistemas políticos protegem os cidadãos ou se esquecem a sua humanidade, usando-os apenas como armas de guerra.

Recebido com entusiasmo pela crítica em Veneza, afirmou-se pelo rigor técnico e pela sobriedade moral que definem o melhor cinema de Gianni Amelio - um realizador consagrado, com mais de cinquenta anos de carreira, uma referência respeitada e celebrada do cinema europeu contemporâneo.