Bodyhackers

Bodyhackers

Estreia:

de Carlos Conceição

Portugal, 2026, 83', Classificação M/14, Drama

com McCaul Lombardi, Joana Ribeiro, Elina Löwensohn, Alba Baptista

Festivais e Prémios:

Edinburgh International Film Festival 2026 (Estreia mundial)

Scary Movies XIV at Lincoln Centre 2026

Ficha técnica:

Realização Carlos Conceição

Argumento Carlos Conceição
Produção Mirabilis
Coprodução Risi Film
Direção de Fotografia Rui Poças
Montagem António Gonçalves, Carlos Conceição
Direção Artística Artur Pinheiro
Guarda-Roupa Ana Simão
Som Vasco Pimentel
Música Original Nuno Bento

Carlos Conceição é um realizador português nascido em Angola, conhecido por combinar o realismo poético com uma abordagem ousada e experimental. Os seus filmes, visualmente marcantes e emocionalmente intensos, exploram a identidade, a memória, o desejo e o trauma político, fundindo frequentemente ficção, documentário e paisagens oníricas. Depois de estudar Literatura, dedicou-se ao cinema, conquistando reconhecimento pelo seu tom hipnótico, pela ousadia narrativa e pela profundidade simbólica da sua obra. Reconhecido em importantes festivais internacionais, é um dos mais arrojados realizadores europeus da atualidade.

NOTA DO REALIZADOR


Este filme escrutina a veneração que o mundo dedica aos corpos promovidos pela publicidade. É uma paródia de body horror e as suas personagens vivem uma relação ambivalente com a tecnologia e as suas consequências. Descobrem um inquietante fascínio pela linguagem e pela teologia da cirurgia plástica, fundindo cosmética e sátira menipeia para construir uma crítica mordaz à autoridade científica e expô-la como um culto elaborado que não consegue nem apaziguar nem conter o medo da mortalidade.
As personagens refletem sobre a relação entre vigilância e paranoia, dor e revelação. Procuram catarse no tecido cicatricial e consolo face ao efeito sedativo dos meios de comunicação, onde a tirania da beleza nasce da infiltração das imagens filmadas em todos os recantos das nossas vidas. Se a beleza é uma voz omnipresente que ressoa nas margens da consciência, a omnipresença das câmaras transforma todo o comportamento em representação, tornando as personagens incapazes de distinguir pessoas reais de imagens.
Este filme propõe uma reflexão sobre a relação entre magia e temor, e sobre as inúmeras teologias através das quais as pessoas procuram recuperar o sentido do sagrado e da transcendência num mundo secularizado, dominado por uma tecnologia inquietante e por um excesso de mensagens. A cirurgia plástica torna-se uma fonte de transcendência que permite uma relação mais satisfatória com a natureza e com a morte. E, acima de tudo, a possibilidade de sentir.
Estas personagens tornam-se obcecadas por encontrar uma forma de conciliar o seu corpo consigo próprias. Esta procura assume uma dimensão erótica e existencial, criando uma dependência deliberada, uma forma de escravidão vivida com alegria.